quinta-feira, agosto 04, 2005

Disciplina!

in La Voz del Pueblo, n.º 1, Março/1999* (adaptado pelo POrtal Nacionalista)

Quantas vezes temos ouvido a palavra disciplina, à qual muitos associam castigos morais e físicos, detenções, etc. Disciplina, essa palavra que, ao ser ouvida, produz um calafrio de recusa imediata nos nossos jovens. Essa palavra menosprezada e associada a valores pretéritos, hoje «caducos» e fora de época. Coisas de um passado «demasiado exigente».

A disciplina é, porém, o baluarte do compromisso com toda a organização que se preze, com maior cabimento nas organizações Nacionalistas. Mas a disciplina não é somente a que a organização ou o nosso superior hierárquico nos impõe mediante um regulamento ou código, senão a que nós impomos a nós mesmos – essa é a verdadeira disciplina e a que representa o pilar de todo o tipo de disciplina. A disciplina motu próprio é a que, moralmente, e sem algum castigo coercivo, nos obriga a realizar o nosso cometimento ou a nossa responsabilidade, já que implica a satisfação própria do dever realizado e da palavra dada por compromisso. Só a honra nos obriga a cumpri-la.

Muitos dos chamados «militantes», para não dizer a maioria, rechaçaram esta disciplina, acomodaram-se aos costumes burgueses e vulgares daqueles que vivem do sistema, e crêem que ao contribuírem de vez em quando para a Causa resolve tudo.

A Disciplina do militante obriga-o a obedecer aos seus superiores hierárquicos, não de uma maneira cega e sem pensar, mas porque eles demonstraram o seu valor com o seu trabalho e a sua dedicação. A disciplina obriga-o, sempre moralmente, a cumprir com todas as obrigações que assumiu quando se comprometeu a ser Militante, ele sabe que a sua função não se reduz em opinar nessa organização ou de frequentar as suas actividades, sabe que quando empenhou a sua palavra, também empenhou a sua Honra na consecução de um fim e na luta pela sua Nação e pelo seu Povo, palavra que o eleva ao posto de Soldado Político, e como tal deve ser fiel ao seu empenho e responsável para com a sua obrigação.

O militante é a pedra angular de todo o movimento de cariz Nacionalista. Para o militante, não é lícito dizer:

• A minha profissão absorve-me.
• Retiro-me temporariamente.
• Passo a outro tipo de luta.
• Dedico-me a estudar.
• Ao sábado saio.
• Não tenho um tostão.
• Apaixonei-me.
• Não vale a pena.
• Porquê eu, se ninguém trabalha?

O definitivo e verdadeiro compromisso e a verdadeira resistência ao Sistema é manter a Disciplina com seus compromissos, em saber manter-se de pé entre as ruínas, com Disciplina.

As organizações que não são Nacionalistas enchem-se de uma grande quantidade de jovens «militantes» enquanto que no nosso movimento isso não acontece. Se em verdade se quisesse mais gente, dedicar-nos-íamos a outra coisa, outra política mais fácil, conformista. Exigimos uma Ética e um Estilo, um compromisso fanático (uma vez que estamos imbuídos de uma Visão Sagrada do Mundo). Não nos serve qualquer um. Queremos jovens resolutos, capazes, fiéis, inteligentes e, sobretudo, com capacidade de sacrifício. O fácil não é meritório, só o que é conseguido com sacrifício reconforta a alma.

Esta é a vida do Militante, milícia civil mais rígida e sacrificada que os nossos militares-funcionários. Militância e Disciplina, pois não há maior disciplina que lograr actuar num mundo caótico e degradado com uma Ética e um Estilo que não são concordantes com a época e os valores vigentes.

É isto o que se espera de um verdadeiro militante: Honra, Lealdade, Sacrifício, Perseverança, Camaradagem. Numa palavra, DISCIPLINA.

* Extraído do blogue Corserpentis