terça-feira, setembro 06, 2005

DECLARAÇÃO | SOBRE O CASO DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

DECLARAÇÃO | SOBRE O CASO DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA
CARLOS BRANCO > DELEGADO DO PNR-PORTO > 01/09/2005

A minha constituição como arguido e a medida de coacção que me foi aplicada são a consequência natural de um sistema legislativo que tem como objectivo principal defender aqueles que em Portugal e por toda a Europa estão a destruir o nosso modus vivendi . Foi produzido um acervo legislativo que dificulta a defesa dos Portugueses contra a invasão económica, demográfica e cultural do nosso território.
Nunca nos insurgimos contra o aparecimento de comércio em pequena escala de origens diversas. Revoltamo-nos, isso sim, quando alguém vindo de fora começa a ocupar o lugar dos Portugueses, tendo como consequência a falência de empresas e o lançamento para o desemprego de milhares de comp atriotas nossos, na maioria sem habilitações para vencerem noutra área económica. Cremos que nem os próprios chineses têm consciência dos dramas que estão a desencadear com a sua implantação nos circuitos comerciais.

Quanto às condições de trabalho na China, pessoalmente considero que são uma questão interna daquele país, que não difere muito do que ocorre na Indonésia, da Tailândia e da maioria dos países do Terceiro Mundo e o nosso tom crítico tem que ver com a nossa perspectiva ocidental sobre o mundo laboral. No entanto, e com vista ao futuro temos que ter em linha de conta que, mesmo que na China Continental se venham a implementar condições de trabalho aceitáveis segundo os nossos padrões, a verdade é que só o facto de o sector primário naquele país estar a libertar anualmente para as regiões industriais entre 25 a 30 milhões de trabalhadores, vai fazer com que durante dezenas de anos o custo da mão-de-obra naquela país se mantenha a um nível sem concorrência, gerando preços ao consumidor que no Ocidente só poderiam ser combatidos com recurso ao «dumping».

Quero ainda deixar um apelo: sempre que puderem optar, comprem «fabricado ou produzido em Portugal». Se tal não for possível, comprem « made in Europe », pois sempre que escolherem um produto com outra origem, seja ela asiática ou americana estão a apoiar economias que nos são estranhas e a contribuir para o desemprego em Portugal e na Europa.

Regressando ao tema que aqui me trás, quero lembrar o boicote pedido aos produtos indonésios aquando da questão de Timor, o boicote aos produtos e serviços franceses pedido pelos americanos por alturas da segunda invasão do Iraque e ainda a recente operação de fiscalização económica levada a efeito em Portugal e que teve como alvo específico os estabelecimentos comerciais de proprietários chineses.

Para terminar, julgo que o processo aberto relativamente aos cartazes do PNR-Porto será arquivado, pois não há qualquer matéria criminal. No entanto, se o caso for a tribunal, lá estarei, sem medos, e a situação será aproveitada para pôr a nu as ambiguidades do «Sistema» que nos governa, e que é democrático apenas para aqueles que não se atrevem a questionar o Poder…

Carlos Branco > Delegado da Distrital do Porto do Partido Nacional Renovador