sexta-feira, novembro 25, 2005

O que tem o processo de Bolonha em comum com a Super-Liga?

Opinião: O que tem o processo de Bolonha
em comum com a Super-Liga?

Infelizmente, pouco se tem falado sobre Bolonha em Portugal. Um tema importantíssimo para o país que, como tantos outros, tem passado despercebido. Agora, com documentos assinados e protocolos em marcha, pouco há a fazer. No entanto, é bom ter opinião em relação a estes assuntos. O que é então o processo de Bolonha?

A primeira pessoa que me explicou do que se tratava, fê-lo entusiasticamente, comparando o Processo de Bolonha ao mundo do futebol. Disse-me que os alunos vão ser como jogadores, disputados pelas várias universidades da Europa. Um Espaço Europeu de Ensino Superior, competitivo e atractivo para estudantes da União. E não importa que percamos grandes estudantes nacionais, pois podemos acolher alunos de outros países. Disse-me que Portugal pode não ter as melhores universidades nem oportunidades de oferecer grandes bolsas de estudo, mas tem outras condições atractivas, como o clima bestial e uma hospitalidade lendária.

A estratégia que supostamente seria para me convencer resultou no sentido contrário. Bastou-me ouvir as analogias com o mundo futebolístico para começar a torcer o nariz à ideia. Tal como na Super-Liga, com o Processo de Bolonha, Portugal não tem quaisquer hipóteses de competir com as outras universidades da Europa. É básico. Basta pensar que mais de metade dos titulares da selecção nacional competem em campeonatos estrangeiros e que todos os grandes jovens valores portugueses são exportados para outros países. Por outro lado, alguém acha que a modernidade dos estádios portugueses atrai as grandes estrelas internacionais? Óbvio que não. Resumindo, o Processo de Bolonha é um mau negócio (falando na linguagem dos eurocrápulas de Bruxelas) para Portugal. Trocamos as nossas maiores promessas (que podem nunca mais voltar ao país) por estudantes de 3ª e 4ª categoria (como os brasileiros que actuam na SuperLiga).

Mas há ainda outras razões para dizermos não a Bolonha: o aumento das propinas (já que o protocolo tem como um dos objectivos a privatização do ensino superior), a adopção de uma estrutura de graus baseada essencialmente em dois ciclos (que desvirtua a licenciatura, fazendo-a equivaler a um simples bacharelato) e diminui a exigência do Ensino Superior (lançando gente menos bem preparada para o mercado de trabalho).

Como podemos ver, o Processo de Bolonha é muito mais complexo do que poderia parecer à primeira vista. É uma total metamorfose do Ensino Superior. Um arranque rumo a uma Lei Bosman universitária que vai fazer de Portugal, cada vez mais, uma simples e ridícula reserva de eucaliptos.
E tudo isto, sem perguntar a opinião a ninguém…

João Farinha
Página da Juventude Nacionalista


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1 Comments:

Anonymous Sebastião Pascoal escreveu...
E s+o de pensar que os meus professores gostam do trartado de Bolonha... Nem vêm a hora de o ter a 100%.
25/11/05 10:57  

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