terça-feira, fevereiro 28, 2006

Co-incineração avança



Souselas e Outão continuam a ser as cimenteiras preferidas pelo ministro do Ambiente para a co-incineração. Na próxima sexta-feira, no Porto, o Governo vai apresentar o estudo final sobre a matéria, elaborado pela Comissão Científica Independente.
Parece que o Sr. Eng. Sócrates se prepara para implementar esta sua promessa eleitoral, e que pelos vistos será filha única, já que as outras porque não soube ou porque não quis estão nas gavetas dos ministérios.
A comunidade científica coimbrã já começa a manifestar o seu descontentamento. Sobretudo porque mais uma vez os políticos do sistema passam a vida a falar de democracia, mas quando se trata de levar a cabo algum projecto, as populações locais não são oscultadas, e se porventura manifestam opinião contraria ao projecto a sua opinião não é levada em conta, a não ser se no caminho da obra esteja algum interesse de um companheiro de partido. De resto a avaliar pelas declarações de Matilde Sousa Franco, cabeça de lista do PS por Coimbra às últimas eleições legislativas, tudo leva a crer que os dirigentes do distrito afectos a este partido vão alinhar nas posições do governo.
A co-incineração é uma técnica “retrógrada, arcaica e é contrária àquilo que deve ser uma boa política de gestão de resíduos industriais perigosos”.
O estudo Saúde Centro 2005 – que teve como objectivo avaliar o estado de saúde na região e que foi realizado na sequência dos protestos da população contra a instalação da co-incineração nas cimenteiras – concluiu que existe uma maior prevalência de certas doenças, todas relacionadas com factores ambientais, em Souselas e Maceira.
Qual é a obrigação do Governo? É não agravar o sofrimento ou estado de Saúde das populações e encontrar uma solução?
O Governo está no pleno direito de decidir queimar os resíduos industriais perigosos e provavelmente deve queimar aqueles para os quais não existem outras alternativas. No entanto, é preciso saber onde vai ser feita a queima desses resíduos e se é mesmo seguro fazê-lo em unidades inseridas em zonas populacionais, em cima das pessoas,
Seja qual for a decisão que venha ser tornada pública na próxima a sexta-feira, não será novidade. Porque a decisão já está tomada há muito tempo. Isto é cinismo político puro e duro, lamentamos que o Governo não tenha aproveitado a opção "correcta e mais do que suficiente" deixada pelo ex-ministro do Ambiente do CDS Luís Nobre Guedes, o tratamento dos resíduos em Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos (CIRVER).