domingo, fevereiro 26, 2006

Combates prosseguem em Cabinda

Os confrontos em Cabinda prosseguem nas matas, acompanhados por constantes violações dos Direitos Humanos, contrariando as sucessivas declarações oficiais do Governo de Luanda que negam a existência de um estado de guerra no enclave. Segundo o EstadoMaior General (EMG) das Forças Armadas de Cabinda (FAC) unificadas, os confrontos com as forças angolanas multiplicaram-se nos últimos dois meses.
No dia 29 do mesmo mês, um comando das FAC unificadas atacou uma
patrulha das FAA entre Piadinge e Conde Lintumbi, às 10h00 locais, «causando cinco
mortos deixados no terreno e seis feridos nas fileiras do inimigo», tendo sido também registados ferimentos em dois combatentes das FAC. No mesmo dia,, pelas 15h00, ocorreu um outro ataque na mesma área, quando as FAA tentaram progredir para recuperar os mortos abandonados.

No dia 6 de Janeiro deste ano, um comando das FAC unificadas atacou de assalto o destacamento das FAA situado a 500 metros da aldeia de Buco Xivava, tendo causado «três mortos e oito feridos nas fileiras do inimigo».
O mesmo documento avança que, em retaliação, as FAA agiram contra a população civil, «prendendo todos os jovens e adultos do sexo masculino da referida aldeia e culminaram com os assassinatos do chefe da aldeia, Sr. Kembo e do Catequista, bemcomo de uma criança de 12 anos». Na mesma ocasião foi também «preso e transladado para a vila do Necuto, até a data, o Sr. Carlos Gomes, coordenador de M´BataMissinga, aldeia vizinha de Buco Xivava».

No dia 10 de Janeiro, um comando das FAC unificadas atacou de assalto o
destacamento das FAA situado entre Caio Cuntene e Terra Nova, causando cinco mortos nas fileiras das FAA e capturando as suas respectivas armas. No dia seguinte «ocorreu um ataque no cruzamento entre Benfica e M´Budila em que as FAA sofreram pesadas baixas», é ainda avançado na nota.

No dia 25 de Janeiro, «em retaliação pelas baixas sofridas nos confrontos com as FAC unificadas», lê-se, as FAA aprisionaram Victor Sassa, de 35 anos de idade, e
Venâncio, uma criança de 12 anos de idade, ambos da aldeia de Conde Litombe quando se encontravam a colher frutos para a sua alimentação, acusados de serem elementos da FLEC e no dia seguinte «os dois foram friamente fuzilados».

Segundo o mesmo comunicado, «na mesma data, a Sra. Jorgeta, de 45 anos de idade, e o seu filho de 15 anos de idade, ambos da aldeia do Chinvula, foram aprisionados no Caio Cuntene, quando se dirigiam à vila do Necuto para vender as suas mercadorias e foram assassinados pelos soldados das FAA. Outro infortúnio recaiu sobre o regedor de M´Bata Lembe, conhecido por Mongali, que está preso na vila do Necuto, depois de ter sido espancado por soldados angolanos, sob acusação de ser colaborador da FLEC».

Por fim, o documento avança que no dia 11 de Fevereiro, o pastor protestante da aldeia de Caio Poba, filho de Pedro Simão, «foi assassinado por soldados das FAA sob protesto de ser colaborador da FLEC».

Várias testemunhas têm assinalado ao Ibinda.com que a presença militar angolana é crescente no enclave, «sendo flagrante, além das cidades, nas principais zonas rurais e povoações do interior, a acção das forças militarizadas» junto de civis e principalmente da Igreja binda, «numa atitude de intimidação e pressão, elevando assim o clima de tensão vivido em Cabinda», adiantaram as mesmas fontes.


Reproduzi na integra a noticia do Jornal Digital, pois acho, que devem ser divulgados os atentados aos direitos humanos perpetrados pelo governo do magnata José Eduardo dos Santos.
Entretanto o ministro português da Defesa, Luís Amado , visitou Luanda tendo como missão cooperação técnico-militar entre Portugal e Angola.
Algumas fontes chegaram mesmo a adiantar que se tratava de um negócio de venda de armas.
Faça você mesmo a soma. Com ajuda técnica ou ajuda material o governo português vai ficar com as mãos sujas de sangue de inocentes.
Mas as ligações sinuosas entre os déspotas que governam Angola e os sucessivos governos portugueses não se confinam ao armamento.Todos ou quase todos os negócios que se estabelecem em Angola para serem aprovados, ficam sujeitos a uma condição, a entrada de algum familiar de um membro do governo para o capital dos mesmos.
Esta onda de corrupção e assassinatos, não é vista pelos nossos governantes.
Lavar as mãos como Pilatos ou pior ainda ter uma politica de submissão perante o governo de Angola é pratica corrente dos nossos políticos do sistema.